De acordo com a Organização Mundial da Saúde¹, no final de janeiro de 2020, o número de casos confirmados de COVID-19 estava pouco abaixo de 10.000 no mundo, 213 pessoas haviam falecido devido a ele e não havia registro de casos no Brasil. Hoje, 08 de novembro, são cerca de 49 milhões de casos confirmados globalmente, sendo mais de 5,5 milhões no Brasil, além de cerca de 1,2 milhões de mortes no mundo e próximo de 161.000 no Brasil². Mas os números são incapazes de transmitir com clareza a dimensão do momento atual. Vivemos, além da grande crise em saúde, instabilidade econômica e modificações de relações sociais. Nesse contexto, é comum o surgimento de manifestações de estresse, ansiedade e depressão. Assim, é importante empregar estratégias para preservar a saúde mental.

A emergência do novo coronavírus pode trazer à tona o medo de adoecer ou morrer ou de que isso aconteça a pessoas próximas. Esse medo pode manifestar-se de variadas formas, como sinais físicos, emocionais, comportamentais e cognitivos. Os sinais físicos mais comuns são: falta de ar, dor de cabeça, dores sem causa aparente, alteração do hábito intestinal. Os sinais emocionais incluem tristeza, raiva e culpa excessivas e persistentes, desânimo, indiferença afetiva. Os sinais comportamentais compreendem discussões e irritabilidade com as pessoas, abuso de substâncias (p. ex.: álcool, cigarro, remédios e drogas), violência e agitação. Os sinais cognitivos englobam dificuldade de lembrar informações, de concentração, confusão e pensamentos negativos repetitivos.

Para enfrentar esse sentimento de medo e seus desdobramentos, é essencial que as fontes de informação sobre a doença, suas manifestações e formas de prevenção sejam confiáveis. A posse dessas informações capacita o indivíduo a enfrentar a situação de forma mais realista, diferenciando manifestações suspeitas de COVID-19 de outros sinais e sintomas, além de tomar medidas efetivas para evitar o contágio.

A necessidade de isolamento social, uma das principais estratégias utilizadas para diminuir a transmissão do vírus, torna ainda mais difícil a manutenção da saúde mental nesse momento. A mudança na rotina, aliada à imprevisibilidade do retorno às atividades anteriores pode gerar sofrimento e incertezas, e a redução do contato com amigos, familiares e colegas pode desencadear a sensação de solidão. Além do medo pela saúde, enfrentamos um momento de instabilidade econômica com redução de postos de trabalho. Nesse contexto, surge a preocupação sobre a perda de emprego e falha na obtenção de renda necessária para a própria subsistência. Dessa forma, são comuns sentimentos de vulnerabilidade, impotência e desesperança.

Algumas estratégias propostas por entidades como a Fundação Oswaldo Cruz podem ajudar a atenuar os impactos da situação, entre elas, o estabelecimento de rotina diária, que aciona a sensação da retomada de controle; a prática de exercícios físicos, que diminui os sintomas de depressão e ansiedade; e a comunicação regular com pessoas queridas por mensagens, ligações e videochamadas, dividindo sentimentos e dificuldades, que reduz a sensação de abandono e afastamento.

Também é importante a detecção dos casos de maior sofrimento, com risco de suicídio, já que as estatísticas sugerem um aumento nas tentativas e suicídios após eventos extremos. Para isso, é necessário reconhecer os principais sinais de alerta (vide Cartilha de Prevenção de Suicídio do Conselho Federal de Medicina³) a fim de identificar os casos potenciais.

A pandemia decretada em 11 de março de 2020 impactou a humanidade em diversas áreas além da saúde. O aumento da mortalidade, a crise na economia, a necessidade de isolamento social e mudanças na rotina, o medo e outros aspectos influenciam diretamente na saúde mental da população. Isso reforça a importância de não negligenciar esse aspecto fundamental da vida e saúde.

 

REFERÊNCIAS

  1. Novel Coronavirus (2019-nCoV): Situation Report – 11. WHO, 2020. Disponível em: <https://www.who.int/docs/default-source/coronaviruse/situation-reports/20200131-sitrep-11-ncov.pdf?sfvrsn=de7c0f7_4>. Acesso em: 19 de out. de 2020.
  2. WHO Coronavirus Disease (COVID-19) Dashboard. WHO, 2020. Disponível em: <https://covid19.who.int/table>. Acesso em: 19 de out. de 2020.
  3. Conselho Federal de Medicina. Suicídio: informando para prevenir. Brasília, 2014. Disponível em: <http://www.flip3d.com.br/web/pub/cfm/index9/?numero=14#page/2>. Acesso em: 19 de out. de 2020.

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay